Um lugar desconhecido…

Tudo começou com  algumas dores difusas, e uma sensação  estranha de não conseguir realizar coisas tão habituais. Um desconforto físico, como se aquele corpo  fosse estranho…

 Foi isso, de fato um “corpo estranho” para o meu sistema imunológico, que começou a não identificar minhas articulações como pertencentes  a ele, e iniciou o ataque. Por dentro e por fora fui  afastando da minha realidade e  caminhando cada dia mais, para um lugar completamente desconhecido dentro de mim mesma.

À princípio  só o que podia pensar é que aquilo era um pesadelo, e que em algum momento fosse despertar e tudo retornaria ao normal. Mas, não foi bem assim que  aconteceu, no desespero de me encontrar fui   adentrando aquele lugar, que hoje visualizo como um bosque, e meio que às cegas, fui entendendo que era preciso muito mais que um GPS para retornar…

Em meio às minhas crenças, e as opções oferecidas de “tratamento”, fui buscando alivio daquilo que de alguma maneira tinha  me tirado do combate. Estava eu, fora de cena e  até do palco !  Muito ruim, ficar de fora da grande festa da vida, e eu decididamente não queria ficar.

Só não sabia como voltar, só não podia me conformar com um diagnóstico de Artrite Reumatóide, sabendo de todas as implicações que isso significava, e com isso fiquei nocauteada algum tempo, até que pensei, que se era preciso fisioterapia, hidroterapia, terapia ocupacional, porque não uma psicoterapia?

Doenças auto-imunes tem um componente emocional  importante e difícil de ser acessado, motivo pelo qual, o ataque invisível celular é tão intenso e devastador, mas tudo bem, aceitei o desafio de saber, quem de fato eu era? Porque  as minhas células estavam me agredindo? Porque o meu sistema imunológico teria  perdido”o juízo”? qual o motivo de estar na linha de frente do  MEU combate?

Todas estas perguntas, e eu cada dia mais me desconhecendo, olhava no espelho, nos meus olhos, e só via um véu cinzento, e me perguntava, onde está o brilho dos seus olhos?

Penso, que como eu, você também deve ter sentido algo semelhante, e foi  por isso que resolvi compartilhar minha experiência.

Meu nome é Tanea, tenho 53 anos, e há sete anos  venho me conhecendo cada dia mais.

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13 responses to “Um lugar desconhecido…

  1. Tanea, gostei de mais do seu relato e de querer entender suas células. Acredito demais que a análise/terapia/etc, nos auxiliam em tudo na vida, inclusive nos tratamentos médicos. Um abraço!

  2. Tanea um texto profundo, com sua delicadeza habitual. Obrigada por ser um exemplo de ternura e esperança..

    Com carinho Carol e Pupo

  3. Como você é lindinha em?
    Fico emocionada de ler tudo isso sabendo o quanto você é batalhadora, te amo muito e sempre estarei com você!

  4. Olá, minha querida!!! Saudades imensas… outrora, você me disse que duas coisas são importantes na vida, “Aceitação” e “Gratidão”, demonstra estar vivendo as duas, quando procura entender o que está acontecendo em sua vida e quando partilha… Que Deus a abençoe sempre.

  5. Nunca pensei que fosse possivel alguem transformar uma coisa tao complicada, sofrida como e a artrite reumatoide, numa sintese tao bem explanada sobre a agressividade das celulas contra o proprio organismo. Muito inteligente e singelo a forma que foi colocada. Parabens Tanea, pela sua iniciativa.

  6. Tanea,que lindo…,com certeza um depoimento de grande valia.Muita sensibilidade em tão sábias palavras.Te admiro e sinto saudades…Bjo no coração,

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